O judiciário precisa absorver uma demanda que aumenta exponencialmente, o que é dificultado quando pensamos no formalismo jurídico e em peças com linguagem mais complexa que o necessário.
Essa linguagem dificilmente é compreendida pelos clientes, o que piora a experiência deles em contato com escritórios e departamentos jurídicos, prejudicando a comunicação e a conexão com aquele que é peça fundamental para o negócio.
Neste contexto, a interseção entre Design e Direito tem ganhado destaque. Com uma demanda judicial crescente e necessidade de uma linguagem mais clara, surge um campo promissor onde estão inseridos o Legal Design e o Visual Law.
Neste artigo, exploraremos em profundidade o conceito de Visual Law, suas implicações e o papel crucial do Legal Design nessa revolução comunicacional.
Entendendo o conceito de Legal Design
O Legal Design surgiu na Universidade de Stanford em meados de 2013 e é considerado a “aplicação do Design ao Direito para tornar os sistemas e serviços jurídicos mais centrados no ser humano, utilizáveis e satisfatórios”.
Cynara Batista, Legal Designer na Opice Blum, compartilhou no webinar “Visual Law na Prática” da Thomson Reuters, que o legal design é um campo multidisciplinar, criado para remodelar sistemas complexos e com muitas funcionalidades para que possam atender às necessidades dos usuários.
Inspirado no Design Thinking, o Legal Design é uma técnica de vital importância para a transformação das profissões jurídicas nos últimos anos, especialmente, no momento de impactar seu público-alvo.
Em um cenário onde o excesso de jargões e a densidade das informações jurídicas podem alienar o público em geral, a técnica surge como uma resposta eficaz para melhorar a acessibilidade e a compreensão do Direito, desempenhando um papel fundamental ao abordar a estética e a funcionalidade da representação visual das informações legais.
Ao aplicar princípios de design, como hierarquia visual, uso de cores, tipografia adequada e , os profissionais do Legal Design têm a tarefa de transformar complexidade em clareza, tornando possível que uma audiência diversificada se aproprie do conhecimento jurídico.
Para se aprofundar mais no assunto, ouça o podcast Papel do Legal Design na eficiência jurídica, promovido pela Turivius, que contou com Simone Minassian, Head de Eficiência e Estratégia da Lexdesign. No episódio, Simone discute como o Legal Design pode melhorar a eficiência jurídica e transformar a experiência dos clientes. Se preferir, você pode assistir ao conteúdo no Youtube através do vídeo abaixo.
Características do Legal Design
Dentre essas metodologias inovadoras encontradas no design, podemos evidenciar também a Metodologia Lean, e a Metodologia Ágil.
Essa metodologia de trabalho, presente na subárea do Design de Informação, visa oferecer um conforto cognitivo e visual, para todas as partes que necessitam acessar a documentação, como, por exemplo: os clientes, as empresas e os juízes.
Conforme ensina a Profa. Margaret Hagan, o Legal Design tem como objetivo tornar os sistemas e serviços jurídicos mais centrados no ser humano através de técnicas inovadoras, criativas e amplas. Assim, o Legal Design vem para “aprimorar o processo de tomada de decisões; transformar ideias em produtos e negócios; e melhorar a comunicação dos documentos jurídicos”.
Exemplos de utilização de Legal Design
O Legal Design pode ser utilizado na criação e revisão de documentos e comunicações jurídicas para tornar o conteúdo mais claro, acessível e orientado ao usuário.
Ele se manifesta, por exemplo, na elaboração de contratos com resumos executivos e destaques visuais para cláusulas sensíveis, em políticas internas e regulamentos organizados por fluxos de decisão e exemplos práticos, em peças processuais que utilizam linhas do tempo e quadros comparativos para facilitar a compreensão dos fatos e argumentos, e em relatórios jurídicos que apresentam riscos, cenários e indicadores de forma visual e objetiva.
Também é amplamente aplicado em plataformas digitais jurídicas, por meio de interfaces intuitivas, linguagem direta e explicações contextuais, contribuindo para uma experiência mais eficiente e compreensível sem perda de rigor técnico.
O que é Visual Law?
O Visual Law, por sua vez, é uma ramificação do Legal Design que busca tornar “a informação jurídica mais clara e compreensível”. Por isso, o Visual Law é frequentemente utilizado para entregar documentos jurídicos em formatos acessíveis, interativos e empáticos à compreensão do “público leigo”, assim como de especialistas que precisem de informações pontuais e pré-selecionadas.
O Visual Law pode ser aplicado sobre a concepção de petições, contratos, pareceres e, até mesmo, em e-mails. O objetivo dessa técnica consiste em tornar a produção textual cada vez mais acessível ao público, por meio de formatos visuais que incluam imagens, fluxogramas, tópicos e textos em plain language (linguagem simples).
Por isso, não se trata de uma técnica para “embelezar” documentos jurídicos ou realizar bons “resumos”. O Visual Law busca repensar, criticamente, a comunicação jurídica para que esta esteja centrada nas necessidades e limitações das pessoas que terão contato com suas formas e representações.
Assim, a pergunta que o Visual Law coloca é a seguinte: como podemos inovar para tornar um determinado conteúdo jurídico mais simples, acessível, envolvente e memorável para as pessoas?
A grande intuição que está por trás dessa pergunta é que o Direito pode se tornar muito mais compreensível se for mais visual e menos intimidador.
Por meio da construção de uma narrativa jurídica envolvente, direta, clara e sem jargões jurídicos, gera-se uma conexão genuína com quem está lendo. Assim, é possível construir um Direito centrado no usuário e amigável para todas as partes.
Alguns advogados já estão inovando e unindo dados estatísticos coletados em relatórios de Jurimetria com visual law para captar clientes:
Características do Visual Law
O Visual Law possui como principais características a centralidade no usuário, buscando facilitar a compreensão do conteúdo jurídico por quem o lê; o uso estratégico de elementos visuais, como:
- Os ícones, cores, quadros, tabelas, fluxogramas, linhas do tempo e infográficos;
- A organização lógica da informação, com hierarquia clara e destaque para pontos essenciais;
- A adoção de linguagem simples e objetiva, sem prejuízo da precisão técnica.
Também se destaca pela funcionalidade, pois cada recurso visual tem finalidade informativa, e não meramente estética, além de promover acessibilidade, tornando documentos jurídicos mais inclusivos e fáceis de navegar, especialmente em materiais extensos ou complexos.
Exemplos de utilização de Visual Law
O Visual Law pode ser aplicado no momento de elaboração de inúmeros documentos, que poderão conter ícones 2D, bullet points, vídeos, infográficos, linhas do tempo, gamificação, dentre outros recursos, para facilitar a leitura em documentos extensos e organizar o conhecimento de forma amigável ao usuário.
Alguns exemplos de utilização pioneira no mercado brasileiro ficaram amplamente conhecidos na internet. Por exemplo, a Juro.com, tem sua política de privacidade feita com Visual Law. O documento contém vários elementos visuais, como ícones e bullets:

Em 2019, o departamento jurídico da empresa de assistência médica Amil protocolou uma contestação feita em Visual Law nos autos do processo nº 1007306-36.2019.8.26.0002. O documento continha vários elementos visuais, como ícones e até QR Codes:

A Koin também inovou, com Termos de Uso simples e uma página interativa para engajar consumidores. Assim também fez a Skol, lançando uma Política de Privacidade muito elogiada por sua linguagem acessível, bem-humorada e alinhada à identidade da marca.
Diferenças entre o Visual Law e o Legal Design
Atualmente, o Visual Law e o Legal Design já integram a lista de “habilidades” jurídicas relacionadas ao “saber fazer” dos profissionais do Direito e, não apenas ao conhecimento técnico e intelectual.
O Legal Design coloca as necessidades humanas no centro dos serviços jurídicos, repensando como atender clientes e julgar casos com eficiência, empatia e inovação. Ele reformula produtos e informações usando metodologias centradas no usuário.
Já o Visual Law, é uma subárea do Legal Design, que foca na apresentação empática e acessível de conteúdos jurídicos complexos. Ele utiliza elementos visuais, como gráficos, fluxogramas e vídeos, para tornar informações jurídicas claras e compreensíveis, adaptando-se às características e interesses do público.
Para sintetizar ainda mais, o Legal Design é a grande área da qual decorrem metodologias como o “design organizacional, o design de serviço e o design do produto”. Já o Visual Law, como já citado, é uma ramificação do Legal Design voltada, especialmente, aos elementos visuais de um produto ou serviço ou, ao denominado “design da informação jurídica”.
Por que aplicar esses conceitos de Legal Design e Visual Law na advocacia?
Aplicar conceitos de Legal Design e Visual Law na advocacia representa uma resposta prática a uma das questões centrais da inovação jurídica: como reter e encantar clientes em um ambiente tradicionalmente rígido, formal e burocrático. Nos últimos anos, essa resposta tem vindo de fora do Direito, especialmente de áreas como Design Thinking, User Experience e comunicação, que colocam o usuário no centro da experiência.
A principal vantagem desses conceitos está em transformar o Direito em algo mais compreensível, acessível e funcional, sem perda de rigor técnico. Ao estruturar informações de forma visual, clara e organizada, o advogado facilita a compreensão do conteúdo jurídico por clientes, magistrados e demais interlocutores, tornando a comunicação mais eficiente e estratégica.
Entre os principais benefícios, destaca-se a redução das barreiras psicológicas criadas pela linguagem excessivamente técnica. Quando o conteúdo é apresentado de forma clara, as partes passam a se relacionar em maior simetria, diminuindo sensações de intimidação, insegurança ou desigualdade geradas pelo próprio discurso jurídico. Isso fortalece a confiança na atuação do advogado e melhora a experiência do cliente ao longo de toda a relação profissional.
Além disso, o Legal Design e o Visual Law contribuem para maior engajamento, melhor percepção de valor do serviço jurídico, redução de retrabalho e aumento da eficiência na tomada de decisões. Em um mercado cada vez mais competitivo, esses conceitos deixam de ser apenas diferenciais estéticos e passam a ser ferramentas estratégicas para advogados que desejam inovar, comunicar melhor e entregar uma experiência jurídica verdadeiramente centrada no usuário.
A Turivius ajuda o advogado na aplicação do Visual Law
A Turivius é uma ferramenta de inteligência jurídica desenvolvida por pesquisadores da MIT e da USP para aliar a sua expertise jurídica à tecnologia de confiança.
Movidos pelo espírito inovador, seus fundadores encontraram na Jurimetria e na Pesquisa Jurisprudencial Inteligente a solução para a garantia de uma atuação jurídica mais estratégica, desde advogados individuais até departamentos jurídicos de multinacionais.
A tecnologia da Turivius é composta por três pilares:
- Pesquisa Jurisprudencial Inteligente
- Jurimetria Integrada
- Monitoramento/Gestão do Conhecimento Jurídico
Ao contar com o nosso software, o advogado agrega valor à sua prática profissional ao complementar a sua opinião jurídica com dados.
Os dados, além de embasarem a opinião do advogado, ainda ajudam em uma comunicação mais atraente ao cliente pela apresentação através dos gráficos. Você pode, inclusive, utiliza-los no seu dia a dia através dos nossos templates de Visual Law.
Além disso, o GPTuri, assistente de inteligência artificial da Turivius, potencializa ainda mais esse processo. Ele auxilia o advogado na interpretação dos dados, na organização das informações e na estruturação de conteúdos jurídicos mais claros e orientados ao usuário, facilitando a tradução de análises complexas em materiais visuais e comunicacionais alinhados aos princípios do Legal Design e do Visual Law.
Com a Jurimetria da Turivius você consegue demonstrar, por meio de gráficos estatísticos e acessíveis, as tendências de julgamento dos Tribunais brasileiros sobre determinado assunto.
Para ficar ainda mais evidente o diferencial competitivo que o Visual Law e a Jurimetria trazem para o seu escritório, vamos utilizar um exemplo prático comparando as decisões do TRF1 e do TRF3.
Por meio de gráficos oriundos de uma pesquisa jurisprudencial de um tema tributário específico em nosso sistema, é possível notar que o comportamento do TRF1 é mais favorável em relação ao contribuinte, em comparação com o TRF3:

Muito mais visual para o seu cliente entender suas reais chances, não acha?
A ferramenta possui uso fácil e intuitivo, auxiliando na apresentação de dados com confiança, seriedade e pode ser acessada em seu próprio navegador de internet. Faça um teste grátis agora mesmo e alie a sua expertise jurídica à tecnologia da Turivius.

